domingo, 6 de junho de 2010

Silas e Jeroboão, os sereios

Dois homens chegam a uma praia com uma pequena faixa de areia e uma duna imensa atrás dela.
Preocupados com suas pernas começaram a apalpá-las
- Ué, sumiu? Cadê nossa calda - disse o mais baixo.
- É... - disse o outro surpreso - Parece que quando pisamos na terra elas somem.
- Que bom, porque tem gente olhando pra gente - disse o mais baixo apontando para o auto da duna.
Havia pessoas no auto da duna, como em uma praia normal, sentadas em cadeiras de praia embaixo de guarda-sóis. Logo atrás existia um tipo de píer com alguns estabelecimentos comercias. Nesse píer havia um grupo seleto de pessoas que olhavam para eles
- Cera que eles viram as nossas caldas? - Perguntou o outro.
- Talvez, eu não sei? - Respondeu o mais baixo
Nesse mesmo momento, as pessoas que estavam no píer começaram a descer a duna como cavalos desembestados.
- Estão vindo na nossa direção - disse o mais baixo.
- Vamos fugir daqui Jeroboão - aconselhou o outro - eles não parecem estar bem intencionados!
- E vamos fugir para onde - perguntou Jeroboão
- Vamos voltar pra água! - respondeu o outro.
- Tu tens razão - apoiou Jeroboão - simbora pro mar!
Os dois pularam na água e caldas apareceram no lugar de suas pernas e com elas nadaram em direção a auto mar. Quando chegaram a uma distancia da praia na qual achavam que não corriam mas perigo, pararam de nadar e o outro olhou para traz.
- Eles estão vindo atrás da gente! - disse o outro.
- A nado!? - indagou Jeroboão sem se virara para olhar.
- É o que parece!
- O que é aquilo? - indagou Jeroboão olhando em direção ao mar aberto.
- Aquilo o que? - perguntou o outro.
Jeroboão estendeu o braço para traz e pois a mão no ombro esquerdo do outro, que se preocupava com as pessoas que viam a nado da praia, e com ela virou seu corpo na direção do auto mar. Os dois avistaram quatro barbatanas dorsais vindo em sua direção, vendo-se encurralados pelos dois lados, tiveram que escolher entre as pessoas e os tubarões.
Saíram adoidados nadando em direção a praia, Passaram tão rápido pelas pessoas hostis que elas nem os notaram.
Chegando a praia, os dois viraram-se para o mar e viram o reboliço na água.
Algumas pessoas conseguiram escapar dos dentes dos tubarões e vinham nadando para a praia enquanto os tubarões
ocupavam-se com os outros.
- Até que esses tubarões vieram a calhar - disse o outro.
- Que isso Silas, os caras morreram! - disse Jeroboão.
- Eles queriam matar agente - afirmou Silas - antes eles do que nos.
- Assim sim né - apoiou Jeroboão.
De repente os dois levaram uma paulada na cabeça e caíram desmaiados.
- Jeroboão, Jeroboão... - chamou Silas.
- hum... Agora não mamãe deixa dormir mais um pouquinho depois eu lixo suas garra... Quero dizer suas unhas - retratou-se Jeroboão achando que era sua mãe.
- Jeroboão, acorda num sou tua mãe não - resmungou Silas.
- Que foi Silas - disse Jeroboão sonolento.
- Nos estamos presos!
Já estava anoitecendo e os dois estavam amarrados cada um a um poste de madeira no píer ao lado de uma piscina. Silas estava no poste mais proximo da piscina. E havia outra pessoa presa a outro poste um pouco mais distante.
- Silas põem os pés na água da piscina, - disse Jeroboão. - Ai se vai ficar seboso e vai escorregar pelas cordas.
Silos pós os pés na água, sua calda apareceu e ele escorregou para dentro da piscina passando direto entre as cordas. Saiu de dentro da piscina e foi socorrer Jeroboão
- Jeroboão...
- Que foi!
- Tem um probleminha.
- Desamarra logo essa corda!
- Não da, Não tem nó.
- Como... Não importa, vai procurar uma coisa afiada pra cortar isso. É vê se os tubarões ainda estão na costa.
- Ta bem.
Silas se esgueirou pelas paredes, com cuidado para não ser visto chegou a uma sala onde supostamente haveria ferramentas. Procurou, procurou mas só encontrou uma pá encostada em um canto toda suja de merda. Não tem outra coisa, então vai isso mesmo. Pensou Silas.
Quando ia sair da sala, três homens encapuzados entraram. Silas correu e se escondeu atrás de algumas coisas empilhadas.
Os homens começaram a fazer um ritual, sacaram punhais de dentro de suas roupas e os levantaram acima de suas cabeças e disseram.
- Oh coração dos lobisomens, receba os nossos corações e tome seus lugares, para que sane sua sede de sangue.
Dizendo isso apunhalaram seus corações e começaram a se transformar.
- Ah não lobisomem, não - exclamou Silas - Eu já virei sereio, chega de transformação!
Silas saiu as pressas da sala, antes que a transformação terminasse. Aproveitou é checou se os tubarões ainda estavam na costa. Chegou a piscina com a pá nas mãos.
- Não tinha coisa melhor não - perguntou Jeroboão - Isso está fedendo!
- Só consegui achar essa pá de merda - Respondeu Silas.
- Ainda é de merda... Deixa pra lá, corta logo essa corda. Você viu se os tubarões ainda estão lá.
- Não, não estão mais
Silas cortou a corda com muita facilidade, usando a pá.
- Nossa, ou essa pá e muito afiada, ou o coco que ta nela é acido - exclamou Silas - Jeroboão nos temos outro probleminha.
- O que foi dessa vez? - resmungou Jeroboão.
- Tem uns lobisomens aqui.
- Não fala besteira, lobisomens não esistem.
- Aloou... - Disse Silas batendo na perna com a mão. - Nos somos sereios. - Disse ele apontando varias vezes com o polega para ele e o indicador para Jeroboão. - Eu e você.
- Tá bom, vamos soltar aquele cara ali - disse Jeroboão.
- Eu não acho uma boa idéia. Ele ésta amarrado de outra forma deve ter motivo. - Desconfiou Silas.
Ignorando Silas, Jeroboão apanhou a pá de suas mãos e cortou as amarras estranhas do individuo.
- Tá Vendo, não custou nada - disse Jeroboão virando-se para Silas.
- É mesmo olha ai atrás.
Atrás de Jeroboão o homem se levantava e mostrava seus dentes de vampiro.